Franquias no interior ganham espaço nos planos de expansão
Presente em 3.828 municípios, a comunidade de franquias amplia a aposta em cidades médias e pequenas, com formatos adaptados à demanda local.
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As cidades médias e pequenas ganharam espaço nas estratégias de expansão da comunidade de franquias brasileira. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), apresentados pelo Mundo das Franquias em 22 de outubro, as redes estão presentes em 3.828 municípios, equivalentes a 69% das cidades do país. Em 2024, essa participação era de 61%.
Interiorização entra no planejamento das redes
O avanço territorial integra a lista de tendências da ABF para 2026. Na avaliação de Cristina Franco, presidente do Conselho da entidade, a expansão para cidades médias e pequenas se consolidou como uma estratégia estrutural de crescimento sustentável, deixando de ser apenas um movimento pontual.
A mudança de presença municipal representa um aumento de oito pontos percentuais em relação ao índice de 2024. O indicador mede o alcance geográfico das franquias: mostra em quantos municípios o modelo está presente, e não a participação dessas localidades no faturamento das redes.
Outro recorte ajuda a dimensionar o movimento. No ranking da ABF com as 30 cidades que mais cresceram em número de unidades, 14 não são capitais. O dado reforça a importância dos mercados fora das capitais, embora não signifique que todas essas cidades tenham o mesmo perfil econômico ou o mesmo potencial para cada marca.
Para quem acompanha a comunidade de franquias, a principal mudança está no lugar ocupado por esses municípios no planejamento: eles passam a integrar estratégias próprias de desenvolvimento, em vez de aparecer apenas como alternativa aos grandes centros.
Bob’s e OrthoDontic mostram caminhos distintos
Entre as redes citadas na reportagem, o Bob’s projeta faturamento de R$ 1,8 bilhão e mais de 150 novas unidades em 2026, com foco em mercados regionais. Esses números são metas da empresa, não resultados já realizados. Em junho, a marca inaugurou uma loja em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, como exemplo concreto de sua presença fora das capitais.
A OrthoDontic apresenta outro retrato da expansão. Nascida em Londrina, no Paraná, a rede de clínicas já possui unidades em 24 cidades com menos de 50 mil habitantes. Nesse caso, o dado descreve uma presença existente em municípios pequenos, e não uma projeção de novas aberturas.
Os dois exemplos envolvem atividades diferentes — alimentação e atendimento odontológico — e mostram que a interiorização não está restrita a uma única categoria de negócio. Ainda assim, a experiência de uma marca não deve ser tomada como garantia de demanda para outra.
Giraffas, FarMelhor, Cebrac, Cellep e o Grupo Avend também apresentaram planos direcionados a cidades médias e pequenas durante a ABF Franchising Expo 2026. A participação dessas marcas amplia o conjunto de redes que colocaram esses mercados em suas agendas de expansão.
Custos e demanda local orientam os formatos
A reportagem aponta o agronegócio, a renda regional e os custos menores entre os fatores que ajudam a explicar a busca por municípios fora das capitais. Aluguel, mão de obra e ocupação tendem a ter custos mais baixos nesses mercados, o que pode favorecer a estrutura econômica da operação.
Essa possibilidade, porém, deve ser tratada como uma condição a verificar em cada localidade. Um custo de ocupação menor, isoladamente, não permite concluir que uma unidade terá retorno superior. Para a decisão de investimento, é necessário confrontar as despesas previstas com a demanda que o negócio poderá atender.
Algumas redes já criaram formatos específicos para municípios menores, com investimento reduzido e projeções de faturamento compatíveis com a demanda local. A adaptação é um aspecto central desse movimento: expandir territorialmente não significa, necessariamente, reproduzir a mesma estrutura utilizada em uma capital.
A leitura prática é avaliar o formato oferecido junto com o mercado de destino. O tamanho da cidade, por si só, não substitui a análise da proposta comercial e das condições de operação.
O que observar antes de escolher a cidade
Para candidatos a franqueado, os números de presença municipal ajudam a identificar uma direção da comunidade, mas não constituem uma recomendação automática de investimento. Vale solicitar à rede informações sobre experiências em cidades de porte semelhante e entender quais premissas sustentam suas projeções.
Também é importante separar unidades já abertas de metas anunciadas. Essa distinção permite comparar o histórico da marca com aquilo que ela ainda pretende executar, sem transformar planos de expansão em resultados comprovados.
Na prática: antes de escolher uma franquia no interior, confronte o formato proposto com a demanda local, os custos previstos e a experiência da rede em municípios semelhantes.



