Repasse de franquias avança e atrai novos gestores no Brasil
Transferências chegaram a 4% das movimentações em 2025. Casos de redes de varejo e educação mostram oportunidades e desafios da troca de gestão.
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Assumir uma franquia em funcionamento tem aberto caminhos tanto para novos empreendedores quanto para quem já administra outras unidades. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o repasse de operações representou 4,0% das movimentações da comunidade de franquias em 2025, ante 3,4% em 2024. Histórias divulgadas em outubro de 2026 mostram como a troca de gestão pode combinar continuidade e recuperação de negócios.
Uma porta de entrada que exige avaliação
No repasse, uma unidade existente é transferida para outro empreendedor. Em vez de montar toda a operação do zero, o novo responsável assume uma estrutura que pode incluir equipe, processos e uma base de clientes. Essa condição, porém, não elimina a necessidade de avaliar o negócio individualmente.
O avanço de 0,6 ponto percentual na participação dos repasses ocorreu em um ano no qual a comunidade brasileira de franquias registrou faturamento de R$ 301,7 bilhões, crescimento nominal de 10,5%. Ao final de 2025, havia 202.444 operações em funcionamento no país, conforme a ABF.
Os casos divulgados apresentam diferentes motivações para a transferência: ampliar uma carteira de unidades, aproveitar experiência profissional ou recuperar uma operação com dificuldades. Não se trata, portanto, de um único perfil de investimento. A condição da loja ou escola recebida e a capacidade de gestão do comprador aparecem como elementos centrais dessas trajetórias.
Varejo mostra o trabalho de recuperação
Em Manaus, Isis de Fátima Bandeira de Melo assumiu por repasse uma unidade da Calçados Bibi ao lado do sócio e sobrinho, Victor Bandeira. Com 15 anos de experiência na comunidade de franquias e seis unidades da marca sob sua gestão, a empresária encontrou uma loja em um momento desafiador.
A atuação envolveu divulgação, parcerias com o shopping, aproximação com consumidores e acompanhamento próximo da operação. Segundo o relato divulgado, as vendas cresceram 61% nos primeiros nove meses. O resultado é específico dessa unidade e não constitui uma previsão para outras aquisições por repasse.
Na Mundo Verde, Estefany Brandão da Silva e Luís Gustavo Araújo Pereira assumiram, em agosto de 2024, uma loja no Shopping Imperial. Ao avaliar a unidade, encontraram pouco estoque, equipe desmotivada e baixo fluxo de clientes.
O casal decidiu investir na transformação da operação, aproveitando a estrutura existente. O caso evidencia uma distinção importante: receber uma loja pronta não significa encontrar um negócio sem problemas. A recuperação pode ser justamente a principal tarefa de quem entra.
Educação reúne expansão e experiência profissional
Na Prepara IA, Thiago Souto utiliza o repasse como instrumento de expansão. Ligado à rede desde 2013, administra cinco unidades: três adquiridas por transferência e duas abertas do zero.
Ao assumir uma escola em Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, encontrou inadimplência elevada, pendências na entrega de materiais didáticos, baixo investimento em mídia e dificuldades comerciais. Conforme o relato divulgado, em pouco mais de dois meses a unidade passou a superar as expectativas e chegou a registrar resultado quase duas vezes superior ao do mês anterior. A informação não detalha qual indicador foi utilizado, o que impede interpretar esse resultado como lucro ou faturamento.
Outra trajetória é a de Sandra Maria Guimarães, pedagoga, mestre em Psicopedagogia e neuropsicopedagoga. Ela assumiu uma unidade da Ensina Mais Turma da Mônica em agosto de 2026, após seis anos à frente de uma clínica multidisciplinar. No início dessa nova etapa, o desafio relatado é adaptar sua experiência educacional à dinâmica da franquia.
Já Rosi Fernandes entrou na comunidade de franquias durante a pandemia, assumindo duas escolas da Rockfeller Language Center em Santa Catarina, em Estreito e Centro. Segundo os números divulgados, as unidades somam atualmente mais de 800 alunos e faturam, juntas, cerca de R$ 120 mil mensais.
O que observar antes da transferência
As experiências mostram possibilidades, mas não dispensam uma análise criteriosa. Em encontro jurídico realizado em 2025, especialistas destacaram a importância de transparência e participação da franqueadora na negociação de repasses.
A avaliação deve abranger histórico financeiro, contratos, equipe, ponto comercial, passivos e razões para a saída do antigo franqueado. Esses elementos ajudam a distinguir uma operação que precisa de ajustes daquela que demanda uma recuperação mais ampla.
Na prática: antes de assumir uma unidade, confronte os resultados apresentados com seu histórico e avalie os problemas que acompanharão a transferência. A estrutura existente é um ponto de partida, não uma garantia de desempenho.



