ABF aponta expansão mais seletiva das franquias em 2026
Lideranças da ABF destacam margem, geração de caixa e eficiência como prioridades para a expansão das redes em 2026.
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A expansão da comunidade de franquias em 2026 deve ser avaliada menos pela velocidade de abertura de lojas e mais pela capacidade de gerar resultados. Essa é a leitura das lideranças da Associação Brasileira de Franchising (ABF), reunida em publicação do Franquia.com.br de 24 de outubro. Eficiência, margem e geração de caixa aparecem como prioridades, ao lado da interiorização e da profissionalização dos franqueados.
Rentabilidade ganha peso na avaliação das redes
O diagnóstico apresentado pelas lideranças é de crescimento mais seletivo. Em vez de tratar o aumento do número de unidades como principal medida de sucesso, a avaliação coloca a consistência da operação no centro das decisões. A diferença está entre ampliar a presença de uma marca e sustentar economicamente essa presença.
Juarez Leão, integrante do Conselho da ABF, caracteriza 2026 como um ano “de seleção natural”. Na leitura dele, a comunidade atravessa um ponto de inflexão: margem e geração de caixa passam a pesar mais do que a quantidade de lojas abertas. A expectativa é que redes com operação sólida e custos controlados se destaquem, enquanto aquelas sem esse domínio percam relevância.
Essa visão não equivale a uma previsão de paralisação da expansão. O foco proposto é crescer com rentabilidade, substituindo a abertura acelerada por uma análise mais cuidadosa da qualidade do crescimento. Para quem avalia uma franquia, o recado é não confundir visibilidade da marca ou anúncios de novas unidades com evidências suficientes de desempenho operacional.
Interiorização amplia o mapa de oportunidades
A presença geográfica das franquias também integra a discussão. Segundo o dado da ABF reproduzido pelo Franquia.com.br, a comunidade está presente em 3.828 municípios brasileiros, equivalentes a 69% das cidades do país. A referência apresentada para 2024 era de 61%.
O avanço ajuda a explicar por que a interiorização aparece entre as tendências citadas pelas lideranças. A expansão territorial amplia o alcance das redes para além dos centros onde já estão estabelecidas. Entretanto, esse movimento é apresentado junto da necessidade de eficiência, e não como justificativa para abrir unidades indiscriminadamente.
Lidos em conjunto, os dois pontos sugerem uma distinção importante para o empreendedor: a ampliação da presença das franquias pelo país não demonstra, por si só, a viabilidade de uma marca em determinada cidade. A orientação prática é avaliar a oportunidade local sem perder de vista a capacidade operacional da rede. Presença geográfica e rentabilidade são dimensões diferentes da mesma decisão de investimento.
Fusões e aquisições entram na agenda
Tom Moreira Leite prevê uma intensificação das fusões e aquisições. Entre os fatores apontados estão a busca por escala, eficiência, digitalização e competitividade global. Trata-se de uma expectativa sobre os rumos das redes, não de um balanço de negócios já concluídos.
Essa perspectiva se conecta à prioridade dada à qualidade da expansão. Na visão apresentada, crescer não se resume a acrescentar pontos de venda: também envolve buscar condições para operar com mais eficiência e competir em um ambiente que exige adaptação.
A inteligência artificial aparece igualmente entre as tendências, com ênfase no uso prático. O tema integra uma agenda mais ampla de digitalização e melhoria operacional. Assim, a tecnologia é colocada ao lado de margem e eficiência, e não como substituta desses fundamentos. A publicação também destaca a adaptabilidade das redes como característica importante para acompanhar as mudanças.
Franqueado mais profissionalizado no centro da operação
A profissionalização dos franqueados completa o conjunto de prioridades. Ao associar expansão seletiva, controle de custos e geração de caixa, as lideranças reforçam uma visão em que a gestão da unidade tem papel central. A discussão desloca a atenção da abertura para a sustentação do negócio ao longo da operação.
As expectativas foram originalmente reunidas em publicação da ABF de 13 de fevereiro de 2026, atualizada em 16 de março, conforme a referência informada pelo Franquia.com.br. Portanto, devem ser entendidas como uma leitura das lideranças sobre o ano, retomada em outubro, e não como confirmação de que todas as tendências já se concretizaram.
Na prática: antes de escolher uma rede, o candidato deve investigar como ela acompanha custos, margem e geração de caixa. O número de unidades continua sendo uma informação útil, mas não deve substituir a avaliação da qualidade da operação.



