Franchising em Portugal fatura 23 mil milhões em 2025
Dados da APF apontam para 197 mil trabalhadores e um saldo positivo de 200 unidades na comunidade de franchising portuguesa em 2025.
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A comunidade de franchising em Portugal atingiu uma faturação de 23 mil milhões de euros em 2025, mais 3% do que no ano anterior, e passou a empregar 197 mil pessoas. Os dados da Associação Portuguesa de Franchising (APF), divulgados a 13 de outubro de 2026, mostram também um saldo positivo de 200 unidades, num ano em que se registaram tanto aberturas como encerramentos.
Emprego cresce mais depressa do que a faturação
O aumento do emprego é um dos resultados mais expressivos do balanço apresentado pela APF. A comunidade passou de 137 mil trabalhadores em 2024 para 197 mil em 2025, uma diferença de 60 mil postos de trabalho, equivalente a uma subida de 43,8%.
A faturação também avançou, embora a um ritmo inferior: os 23 mil milhões de euros representam um crescimento anual de 3%. Numa comparação mais alargada, a APF indica que o volume de negócios aumentou cerca de 33% desde 2022.
Os dois indicadores descrevem dimensões diferentes da evolução da comunidade. A faturação mede o volume de negócios, enquanto o emprego traduz o número de pessoas que nela trabalham. A diferença entre as respetivas taxas de crescimento não permite, por si só, concluir qual foi a evolução da rentabilidade das unidades ou das condições de trabalho.
Para quem acompanha oportunidades de franchising, importa também distinguir o crescimento acumulado desde 2022 da variação do último ano. Os cerca de 33% referem-se a um período de vários anos; os 3% dizem respeito à comparação entre 2025 e 2024.
Aberturas superam encerramentos em 200 unidades
Durante 2025, foram abertas 339 unidades de franchising e encerradas 139. O resultado foi um acréscimo líquido de 200 unidades em Portugal.
Este saldo oferece uma leitura diferente da contagem isolada das inaugurações. As 339 aberturas mostram a atividade de expansão, mas os encerramentos também fazem parte do balanço e reduzem o crescimento líquido. Assim, o número de novas unidades abertas não deve ser confundido com o aumento efetivo da presença da comunidade no território.
Na distribuição por atividades, a categoria de serviços e empresas liderou o crescimento líquido, com mais 44 unidades. Seguiram-se as obras, construção e remodelação, com mais 36, e a mediação imobiliária, com mais 35. A restauração e alimentação registou um saldo positivo de 26 unidades.
Os resultados colocam várias atividades de serviços entre as que mais contribuíram para o aumento líquido de unidades. Mostram igualmente que a expansão não se limitou à restauração, uma das áreas habitualmente associadas às redes de franchising.
Serviços representam 68% das marcas
Segundo Cristina Matos, CEO da APF, citada em comunicado, os serviços representam 68% das marcas de franchising em Portugal. Este peso no número de marcas não corresponde, porém, à mesma distribuição da faturação.
A responsável explica que o comércio e a distribuição concentram uma parcela maior do volume de negócios devido à dimensão das empresas presentes nessas atividades. A composição da comunidade varia, portanto, consoante se analise o número de marcas ou a receita gerada.
Nos valores de faturação divulgados por atividade, a distribuição alimentar e os combustíveis surgem com 3.276 milhões de euros. A restauração e alimentação apresenta 1.089 milhões, seguida do comércio e retalho, com 935 milhões de euros.
A saúde, estética e bem-estar registou 216 milhões de euros, enquanto a mediação imobiliária atingiu 123 milhões. Estes valores ajudam a identificar diferenças de escala entre atividades, mas não constituem uma indicação da faturação que uma unidade individual poderá alcançar.
O que considerar antes de investir
O balanço da APF reúne três sinais de crescimento em 2025: aumento da faturação, subida do emprego e mais aberturas do que encerramentos. Para os candidatos a franchisados, constitui um enquadramento útil, não uma previsão de desempenho para uma marca ou localização específica.
Na avaliação de uma oportunidade, vale a pena pedir informação sobre aberturas e encerramentos da rede, resultados de unidades comparáveis e necessidades de contratação. É também importante separar o volume de negócios dos custos e da rentabilidade esperada.
Conclusão prática: use os números nacionais como ponto de partida e confirme as condições concretas da rede e da unidade antes de assumir um investimento.



