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IA nas franquias: só 26% têm uso estruturado, aponta ABF

Pesquisa da ABF de 2025 mostra que 59% ainda testam IA ou dependem de iniciativas das equipes. Dados põem a organização do uso em debate.

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IA nas franquias: só 26% têm uso estruturado, aponta ABF

A inteligência artificial já faz parte das discussões da comunidade de franquias no Brasil, mas sua adoção estruturada ainda é limitada. Segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) em 2025, citada em reportagem da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios publicada em 27 de setembro de 2026, 26% utilizam a ferramenta de maneira estruturada. Para 59%, a tecnologia está em fase de teste ou é usada por iniciativa própria das equipes.

Entre experimentar e organizar o uso

Os números mostram dois estágios diferentes de adoção. De um lado, está o uso estruturado, identificado em aproximadamente uma em cada quatro participantes da pesquisa. De outro, aparece uma parcela maior que reúne tanto a experimentação quanto a utilização por iniciativa das equipes.

Essa distinção importa para a leitura do levantamento. Testar uma ferramenta não equivale, necessariamente, a incorporá-la de forma organizada à operação. Da mesma maneira, uma iniciativa da equipe pode representar uma experiência útil, mas o dado, isoladamente, não informa se ela segue orientações comuns à rede.

Também é necessário respeitar os limites das informações disponíveis. O recorte divulgado não detalha separadamente quantas participantes estão apenas testando e quantas têm uso por iniciativa das equipes. Portanto, os 59% não devem ser apresentados como um grupo inteiramente informal, nem como um conjunto de projetos coordenados pelas franqueadoras.

O principal sinal da pesquisa é a distância entre experimentar IA e utilizá-la de maneira estruturada. Os percentuais não permitem, por si só, concluir quais aplicações trazem retorno ou quais redes estão mais preparadas.

O que os dados colocam em discussão nas redes

Para a comunidade de franquias, o levantamento oferece um ponto de partida para discutir como transformar experiências individuais em práticas que possam ser avaliadas. Trata-se de uma implicação dos resultados, não de uma conclusão sobre o desempenho das empresas pesquisadas.

Uma avaliação prática pode começar pelo mapeamento do que já está sendo utilizado. Quais ferramentas estão em teste? Que tarefas elas apoiam? Quem acompanha os resultados? Essas perguntas ajudam a diferenciar a simples disponibilidade de uma tecnologia de sua integração ao trabalho cotidiano.

Outro cuidado é não confundir frequência de uso com qualidade. Uma ferramenta utilizada todos os dias não é, apenas por isso, adequada a qualquer tarefa. Antes de ampliar uma experiência, vale definir critérios de revisão e deixar claro quem responde pela decisão final.

Para franqueadoras e franqueados, a recomendação é estabelecer um vocabulário comum sobre o tema. Termos como teste, aplicação aprovada e uso estruturado precisam ter significado claro nas conversas da rede. Essa organização permite discutir avanços sem tratar todas as experiências como se estivessem no mesmo estágio.

Agentes de IA aparecem no horizonte

A reportagem também apresenta uma avaliação de Cassio Pantaleoni, diretor de IA da Quality Digital, sobre os próximos movimentos da tecnologia. Ele aponta o comércio baseado em agentes, conhecido como agentic commerce, e a infraestrutura B2A, descrita como uma evolução para negociar com agentes de inteligência artificial, entre as tendências mais importantes.

A observação amplia a pauta para além da adoção atual das ferramentas. Ao mencionar a negociação com agentes de IA, o especialista direciona a atenção para possíveis mudanças na forma de conduzir relações comerciais.

É importante, porém, separar essa perspectiva dos resultados da pesquisa. A indicação de uma tendência não demonstra que ela já tenha sido implementada amplamente nas franquias brasileiras. As informações apresentadas não quantificam a adoção de comércio baseado em agentes ou de infraestrutura B2A nas redes.

Assim, o tema deve ser lido como uma agenda de acompanhamento, e não como evidência de uma transformação já concluída.

Como levar a discussão para a operação

O contraste entre os 26% com uso estruturado e os 59% em testes ou com iniciativas das equipes recomenda uma abordagem cuidadosa. Antes de adotar soluções mais complexas, cada rede pode verificar o estágio de suas próprias experiências, sem presumir que os percentuais da pesquisa descrevam sua realidade particular.

O caminho prático é mapear os usos existentes, escolher uma aplicação para avaliar e definir responsáveis e critérios de acompanhamento. Para quem considera investir em uma franquia, vale perguntar como a rede orienta o uso de IA. A prioridade não precisa ser adotar mais ferramentas, mas compreender o que já está sendo feito e como seus resultados serão verificados.

Fontes

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